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Semana da Mulher promove debates em escolas e no Campus Ipojuca

Programação especial entre os dias 12 e 16/03 levou vídeos para discussão a escolas de Ipojuca e trouxe convidados ao Campus
por publicado: 19/03/2018 15h56 última modificação: 20/03/2018 10h54

As atividades da I Semana da Mulher do Campus Ipojuca, que aconteceram entre os dias 12 e 16 de março, levantaram debates sobre as desigualdades de gênero, a violência contra a mulher e as manifestações do machismo na sociedade brasileira.

Na quarta-feira (14), o Núcleo de Estudos de Gênero e Diversidade (NEGED) e o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) levaram a duas escolas da rede estadual em Ipojuca uma proposta de cinedebate. Estudantes do Ensino Médio discutiram assuntos como violência doméstica e preconceitos contra mulheres. A iniciativa também é parte do projeto Cineclube Inclusão, que desde o ano passado promove sessões sobre direitos humanos e respeito à diversidade dentro e fora do Campus.

“O debate fluiu até mais do que nós esperávamos. Achamos que os alunos poderiam ficar retraídos, mas não foi isso que aconteceu: eles aceitaram o convite para o diálogo, trouxeram argumentos, vivências”, contou Andrea Raby, estudante da Licenciatura em Química que participou da sessão do cineclube na Escola de Referência em Ensino Médio de Ipojuca. À tarde, outra equipe dos núcleos de Inclusão levou à sessão à EREM Frei Otto, em Nossa Senhora do Ó.

A técnica em Assuntos Educacionais Danielle Ferreira, coordenadora do NEGED, avaliou positivamente a experiência de reservar uma semana para discutir questões relacionadas a gênero e diversidade no mês de março. “Vivemos um momento difícil, em que disseminam-se propostas para proibir qualquer discussão de gênero nas escolas. Isso é uma perda importante no caminho para construir o respeito a todos e todas no ambiente escolar”, afirma. “Acho importante apresentarmos os conceitos desse campo e abrir para o debate, até para que as pessoas identifiquem os discursos que tentam distorcer o debate acadêmico sobre gênero”.

Cinedebate05.jpgCONVIDADAS - Na quinta-feira (15), o IFPE recebeu equipe da Prefeitura de Ipojuca, para uma conversa sobre empoderamento feminino e superação da violência contra a mulher. Ana Carolina de Santana, da Secretaria Especial da Mulher do Ipojuca, falou sobre as diversas formas de machismo velados que existem na sociedade: “Nós, enquanto sociedade e poder público, precisamos estar atentos para não reproduzir esses preconceitos sem perceber".

A guarda civil Marina Quércia Sacramento, comandante da Patrulha Maria da Penha, orientou sobre como denunciar casos de violência doméstica e familiar. “A mensagem que quero deixar é que a Lei Maria da Penha funciona. Existe um esforço para atender as mulheres vítimas de diversas formas de violência, e para fazer valer as medidas protetivas concedidas pela Justiça”. Além delas, participaram da conversa também representantes do Núcleo de Prevenção ao Tráfico de Mulheres do município, Suely Madeira e Marta Lins.

Na sexta (16), encerrando a Semana, o Cinceclube Inclusão promoveu a sessão de debate “Violentadas”, que tratou de agressões sofridas por mulheres de diversos segmentos sociais. A debatedora convidada foi a professora Alyne Nunes, historiadora e doutoranda em Sociologia, que abordou temas como representatividade, racismo estrutural e outros temas que permeiam o feminismo interseccional, movimento que reconhece a diversidade de experiências e opressões que atingem as mulheres de diferentes cores, posição social ou orientação sexual.

Ao final do debate, Nunes fez uma homenagem à ativista e vereadora carioca Marielle Franco, assassinada poucos dias antes. “Não foi o assassinato de uma mulher isolada. Ela representava uma causa, uma voz que quiseram calar. Mas Marielle virou semente, e em nossas ações o luto se transformará em luta”, disse.