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Negritude e Masculinidade são temas de seminário no Campus

Alguns dos grandes temas do mês de Novembro foram tratados, com discussões sobre consciência negra e masculinidades
por publicado: 21/11/2019 12h22 última modificação: 21/11/2019 12h32

O IFPE-Campus Ipojuca realizou, nos dias 19 e 20/11, o Seminário Saúde, Masculinidade e Negritude, no mês em que se lembra a importância do cuidado com a saúde masculina e o Dia da Consciência Negra.

A iniciativa “Cineclube Inclusão”, que propõe discussões sobre temas sociais a partir de vídeos selecionados, tratou dos temas afeitos à masculinidade.

Na terça-feira (19), o sociólogo Sirley Vieira, coordenador executivo da ONG Instituto Papai, em Pernambuco, falou sobre as mudanças bem-vindas no que tipicamente se entendia como comportamento masculino, e também sobre os danos que o sistema patriarcal ainda provocam na sociedade. “Muitos homens ainda acham que têm que ser agressivos para serem respeitados. São os homens os que mais matam e os que mais morrem de causas violentas, até hoje”, disse. Para ele, é importante que os homens entendam que o machismo é nocivo para toda a sociedade, não apenas para as mulheres: “Como homem, tenho que reconhecer que sou muito mais potente se estiver ao lado da mulher, não à frente dela”.

Na sessão do dia seguinte, a professora Yara Amorim dos Santos, enfermeira e mestre em Ciências da Saúde, mediou o debate sobre a importância do acompanhamento periódico da saúde masculina e a resistência de muitos homens a exames e tratamentos.

Seminario Consciencia Negra11.jpgCONSCIÊNCIA NEGRA – Debates inspirados pelo Dia da Consciência Negra constituíram um segundo eixo do Seminário, abrangendo trabalhos realizados por estudantes do Campus e também convidados especiais.

Na terça (19), à noite, atividade organizada pelo Grêmio Estudantil do Campus trouxe a socióloga e professora Alyne Nunes para uma conversa sobre racismo e desigualdade racial no Brasil. “Falar sobre raça gera um incômodo no Brasil. Ou as pessoas dizem que não existe racismo, ou pensam que ele só se manifesta no xingamento, na agressão aberta. E a discussão é bem mais profunda”, afirmou. “Estamos falando de dados estruturais, não de casos isolados. É importante notar, por exemplo que, enquanto houve sucesso na redução de homicídios das mulheres em geral, houve um aumento do homicídio especificamente de mulheres negras”.

Estudantes do primeiro módulo de Química e de Construção Naval também abordaram temas afins no curso do seminário. Orientados pelo professor Roberto França no estudo de gêneros textuais, os discentes apresentaram trabalhos sobre a vida de Elza Soares e Nelson Mandela, conquistas científicas e artísticas de mulheres negras, comidas de origem africana e a história do negro no futebol, entre outros temas.

O Seminário foi encerrado, na quarta-feira (20), pela mesa redonda “O movimento negro e a luta por igualdade racial”. Marinalva da Silva e Sr. Martins, representantes da Associação Quilombola Ilha de Mercês – comunidade vizinha ao Campus Ipojuca – relataram sua luta para obter a demarcação de terras e o registro como comunidade tradicional. O contramestre de capoeira Raphael Pontes também falou de sua trajetória na prática e dos trabalhos que seu grupo vêm desenvolvendo para a valorização da cultura afrobrasileira.

O Seminário contou também com apresentações do Núcleo de Arte e Cultura especiais para a ocasião. A organização do evento foi uma iniciativa do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) e do Núcleo de Estudos de Gênero e Diversidade (NEGED), em parceria com o Grêmio Estudantil e docentes do IFPE.