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A vez é delas: egressa do IFPE Olinda cria jogo sobre lendas do Recife

Odara Valença foi selecionada em edital do Sebrae. Ela montou equipe só de mulheres para produzir demo
por publicado: 21/03/2020 10h48 última modificação: 21/03/2020 10h51

Comadre Fulozinha, Papa-figo, Perna cabeluda, Emparedada da Rua Nova, e o Velho do Saco são algumas das personagens do jogo “Caçadores de Lendas”, desenvolvido pela egressa do curso Computação Gráfica do IFPE em Olinda, Odara Valença, em parceria com a produtora Jurema Filmes. O jogo que começou a ser idealizado na disciplina Game Design, no curso de Computação Gráfica, foi transformado num projeto de jogo digital e selecionado no primeiro edital de Economia Criativa do Sebrae.  

Ao realizar o jogo, Odara ocupa um lugar que já foi tradicionalmente ocupado pelos homens. No curso de Computação Gráfica, o protótipo, um RPG de tabuleiro, foi elaborado junto com as colegas Carolline Pena e Vitória Victor. Agora, quando o produto é desenvolvido para o meio digital, formou uma equipe só com mulheres. Uma das integrantes é a estudante do curso de Artes Visuais também do IFPE Olinda, Luiza Morgado, que assina as ilustrações.fulozinha.jpg

“Tivemos que mudar muita coisa para adaptar o jogo para um aplicativo de celular. Por meio do edital, produziremos a demo”, esclarece. Odara conta que acabou de assinar o consórcio e levará oito meses para finalizar a demo. Depois, vai procurar um novo edital para desenvolver o jogo completo. “Eu tinha zero contato com a área de game, que é nova e abre muitas portas. A gente acaba conhecendo muitas pessoas. É um mercado que a gente não imagina”, explica.

A professora da disciplina Game Desing do IFPE Olinda, Carol Machado, conta que especialmente em Recife e Olinda o mercado de games se desenvolve cada vez mais e busca por profissionais capacitados. “As oportunidades têm crescido muito. Vemos algumas vagas de estágio surgindo”, explica. A professora recebeu com alegria a notícia de que o jogo havia sido selecionado par ao edital, mas festejou ainda mais ao saber que Odara resolveu fazer uma equipe só de meninas. “As mulheres estão cada vez mais ocupando esse espaço que era bem masculino. E elas chegam dominando”, comemora.

CAPACITAÇÃO E MERCADO – A professora Carol Machado esclarece que área de jogos é multidisciplinar e com vários caminhos. Quem tem conhecimento em programação pode focar na área de desenvolvimento, mas há oportunidades em áreas como design de fases ou level design, design de personagens e até de redação de narrativas dos jogos. “O game designer trabalha desde o planejamento, concepção da arte, da programação e das mecânicas do jogo. Esse trabalho é geralmente feito em equipes”, conta.

Algumas empresas empregam grandes equipe. Já nas menores, o trabalho se resume a duas ou três pessoas. Os que desenvolvem jogos de forma independente, geralmente, acabam acumulando funções. A dica da professa é que os estudantes interessados na área se envolvam nas redes formadas por esses 

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profissionais. “Há uma comunidade muito crescente e ativa, principalmente em Pernambuco. Quase todos os meses temos game jams, algumas são temáticas, como a Game Jam das Minas, voltada só para mulheres. É muito importante essa aproximação, pois cria-se uma rede de suporte”, enfatiza.

Se antes os jogos eram puramente para diversão e distração, atualmente eles cumprem outros papeis. “Temos hoje os jogos sérios com uma função a cumprir, como os de realidade virtual. Na saúde, por exemplo, temos simulação de cirurgias; na área de segurança, simuladores de incêndio. São muitas as possibilidades”, avisa a professora.

No IFPE Olinda, a disciplina Game Design é oferecida no terceiro semestre do curso de Computação Gráfica. Nela, os estudantes são incentivados a desenvolver um produto. Para isso, estudam aspectos teóricos como a história dos jogos – desde os primeiros  consoles – tópicos de ludicidade, conceitos de game design, cultura.

Para a prática, os estudantes aprendem um pouco de regras, mecânicas e dinâmicas dos jogos, tipos de narrativas para jogos, criação do Game Design Document (GDD) – o documento do jogo  no qual é registrado todo o processo de criação e prototipação. “Na prototipação, são realizados testes para ajustar problemas. Isso é feito até que o jogo fique funcional. Depois, é realizado o protótipo de alta fidelidade que é apresentado ao final da disciplina juntamente com o GDD”, explica. Ela afirma que os jogos desenvolvidos pelos estudantes tem resultados maravilhosos.

Confira o jogo de tabuleiro Caçadores de Lendas 

Confira outros trabalhos de Odara Valença