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Grupo de pesquisa investiga fotomontagem como elemento da linguagem fotográfica

Pesquisadores preparam oficinas de fotocolagem e fotomontagem que serão oferecidas na segunda edição do CAOS
por publicado: 27/07/2017 11h37 última modificação: 27/07/2017 11h46

Inspirado em artistas da escola Construtivista Soviética, um grupo de pesquisa do Campus Olinda investiga a fotomontagem como elemento da linguagem fotográfica e uma ferramenta de construção de imagens a partir da fotografia. O grupo além do estudo dos conceitos de fotografia, fotomontagem e fotocolagem, desenvolve o debate sobre a arte na sociedade industrial. Entre os trabalhos desenvolvidos, está a oficina de fotocolagem e fotomontagem, que serão oferecidas ao público durante a segunda edição do CAOS, Semana Criativa do Campus Olinda.

“A gente descobre que alguns artistas já tinham, na década de 20, uma visão da fotomontagem que só hoje, com a popularização de ferramentas e máquinas de manipulação de imagem, é que estamos tendo (essa visão)”, explica o coordenador da pesquisa, Paulo Diniz, que também investiga o tema em seu doutorado em Design, realizado na UFPE.

O grupo formado por oito pessoas, entre estudantes e convidados como o artista Xadai Rudá, reúne-se há cerca de um ano. Inicialmente, foram realizados estudos, além de discussões teóricas. A principal delas, sobre um questionamento: O que é fotomontagem e o que é fotocolagem? O que parece simples pode guardar armadilhas. É que o conceito de fotomontagem não é consolidado e é visto de forma diferente por alguns autores.

 “A fotomontagem é uma linguagem fotográfica, não uma técnica. É um processo no qual a forma artística é pensada através da fotografia e do olhar fotográfico . Enquanto a fotocolagem é considerada uma obra única, a fotomontagem é pensada para ser reproduzida”, explica Diniz. Segundo ele, quando fotografamos a partir de uma fotocolagem, a imagem que obtemos é uma fotomontagem dentro de um processo de construção do olhar. “A propriedade do objeto se perde. Você não tem como ser o dono da obra”, argumenta.

Os experimentos realizados servem para montar a oficina que será oferecida no Caos. Num primeiro momento, é realizada a oficina de fotocolagem. No segundo, a de fotomontagem (sem o uso de cola). “A oficina faz parte da construção do olhar fotográfico, que não é um olhar contemplativo. É um olhar que narra, chamado de foto-olho ou photo-glaz”, explica Paulo.

A estudante do curso de Artes Visuais, Natália Almeida, frequenta o grupo de pesquisa desde o ano passado. Ela começou a fazer experimentos de colagem em casa, a partir das teorias discutidas. “A questão da montagem está implícita no processo fotográfico. Construo o meu olhar com os fragmentos que vão surgindo em minha frente”, conta. Entre estudos e atividades práticas, o grupo descobre que questões como atribuição de sentidos, percepção e propriedade de obras artísticas sua inserção em meios que as tornem reprodutíveis e e perpassam quando o tema é fotocolagem e  fotomontagem.