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Grupo de Química realiza pesquisa sobre tecnologias para tratamento de água

Por meio de nanotecnologia, pesquisadores buscam solucionar a poluição causada por indústrias têxteis
por publicado: 12/03/2019 16h20 última modificação: 12/04/2019 14h29

Poucos sabem, mas a indústria têxtil é um dos setores que mais polui o meio ambiente. A organização internacional World Bank, que analisa esse fenômeno desde 1989, estima que 17 a 20% da poluição industrial das águas são consequências dos processos de tingimento e lavagem de tecidos. Foi à busca de uma solução para esse problema que o coordenador do Curso Técnico Integrado de Química Industrial do Campus Recife, Romero Assis, dedicou sua pesquisa.

Durante esses tratamentos, que estão entre os mais danosos devido à grande quantidade de água e produtos químicos que é necessária, nem todo corante é aderido pela fibra têxtil. Os rejeitos desse processo, chamados de efluentes, são geralmente lançados nos rios. Embora exista uma legislação que obrigue o tratamento de efluentes, nem sempre as indústrias cumprem o determinado. Um dos métodos mais comuns de tratamento para águas que foram poluídas desta maneira é o uso de óxido de grafeno. Porém, a produção dessa partícula tem um efeito agressivo ao ambiente, prejudicando, assim, seu próprio objetivo.

O professor Romero e seu grupo se empenharam em sintetizar o grafeno por meio da nanotecnologia. A pesquisa, que teve início no fim de 2017, alcançou resultados: descobriram como produzir grafeno usando um produto biodegradável. “Atualmente, existe uma preocupação do Estado e da população em desenvolver tecnologia para tratar a água para reutilização. A água é um bem comum mundial, mas também é escassa. Entre essas tecnologias, a nanotecnologia traz inovações muito importantes”, explica o docente. “O grafeno que produzimos é eficaz em descontaminar a água e faz isso utilizando pequenas quantidades do material”, finaliza.

O estudo produzido por eles foi aprovado para publicação no periódico internacional Environmental Technology, em funcionamento desde 1980 e altamente respeitado no campo científico e tem lançamento previsto para o fim do semestre. Toda pesquisa foi desenvolvida no laboratório de química do Campus, utilizando os equipamentos e materiais fornecidos pela Instituição. Além disso, a pesquisa contou com grande participação de duas estudantes voluntárias do curso de Química, Edinália Batista e Rafaela Barata, ambas listadas como co-autoras no artigo científico que está para ser publicado. Para Romero, envolver os discentes em reflexões e desenvolvimentos intelectuais de pesquisas aplicadas é essencial. “Somente desta forma conseguiremos formar profissionais de Química preparados e qualificados para contribuir e atuar na área”, declara o coordenador.