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Grupo propõe sistema para facilitar acesso a ônibus por pessoas com deficiência visual

BlindMobi foi concebido por projeto de Extensão desenvolvido no âmbito do Campus Recife ao longo de 2018
por publicado: 17/12/2018 16h54 última modificação: 12/04/2019 14h56
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Professor Hilson Vilar e discentes desenvolveram projeto BlindMobi

Mais de 35 milhões de brasileiros sofrem de algum tipo de deficiência visual, conforme o Censo Demográfico mais recente divulgado pelo IBGE, em 2010. Deste total, aproximadamente dois milhões são pernambucanos. Destinado a essa população, o projeto BlindMobi, concebido por grupo de Extensão do IFPE, propõe ferramenta para favorecer a autonomia no que diz respeito à locomoção de pessoas com algum grau de deficiência visual. O trabalho, inclusive, foi apresentado durante o 12º Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação, no final de novembro.

O BlindMobi representa um sistema a baixo custo para identificação de ônibus por pessoas com deficiência visual. O projeto foi desenvolvido pelo professor do curso de Telecomunicações do Campus Recife Hilson Vilar e os estudantes de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS) David Mendonça, João Lucas Albuquerque e Leandro Bernardes. O protótipo é formado por duas partes: um hardware físico, que seria colocado nos ônibus e um aplicativo para ser instalado no telefone móvel do usuário. “A ideia é que quando o indivíduo chegue à parada, possa clicar no aplicativo e dizer em voz alta a linha do ônibus que pretende pegar. O software, então, confirma a linha e aí é só esperar. Com a aproximação do coletivo, o hardware enviaria um sinal para o aplicativo, que alertaria a vinda do ônibus, primeiro a 30 metros da parada e, depois, com a sua chegada”, explica o professor.

Segundo o docente, o projeto surge em resposta às dificuldades apresentadas por indivíduos com algum grau de deficiência visual ao tentar pegar um ônibus. De acordo com o Censo, em Pernambuco, quase 4% da população não enxerga nada ou possui um grau grave de deficiência visual. Mesmo quando eles conseguem mais independência e se inserem no mercado de trabalho, um dos grandes desafios consiste, conforme Hilson, na locomoção via transporte público. Ele revela que a inspiração para a criação do BlindMobi veio a partir de um colega de trabalho com deficiência visual. “Todo dia, ao largar do trabalho, Carlão, como é conhecido um colega servidor, precisa que alguém o acompanhe até à parada para ajudá-lo a entrar no ônibus correto. Com o BlindMobi, o usuário teria muito mais autonomia em sua mobilidade”, aponta.

Com o esboço do protótipo em mente, Hilson, que também é engenheiro eletroeletrônico e mestre em Ciências da Computação, começou a recrutar alunos de TADS. Para João Lucas, o verdadeiro atrativo do projeto se encontra no impacto que o BlindMobi seria capaz de causar socialmente. “Quando produzimos alguma coisa para o curso, nossos projetos, geralmente, ficam isolados a nossa turma. De modo geral,não vemos o resultado alcançar o público. Com o BlindMobi é diferente: podemos ver a resposta prática e isso é muito estimulante”, comenta.

O grupo prevê como próxima etapa a busca de apoio. “Queremos investir no BlindMobi. Precisamos de parcerias, seja poder público ou grupos privados, a fim de bancar as pesquisas. Já patenteamos o projeto”, relata Hilson Vilar, sem esconder seu entusiasmo com a iniciativa. “Seria um sonho conseguir instalar nossa BlindMobi Box em todos os ônibus do Recife. O número de pessoas beneficiadas seria muito alto”, coloca.