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Rede Federal celebra 113 anos de existência

Em meio a cortes no orçamento, Rede tem conquistado reconhecimento internacional
por publicado: 23/09/2022 13h27 última modificação: 23/09/2022 20h38

Nesta sexta-feira, 23 de setembro, a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica completa 113 anos de uma história iniciada com a criação das primeiras Escolas de Aprendizes Artífices, pelo então presidente da República Nilo Peçanha, em 1909. Uma história que já ultrapassa um século com várias nomenclaturas, institucionalidades, marcos legais e objetivos pedagógicos, mas que mantém o foco na formação qualificada para o trabalho, na inclusão social, no desenvolvimento humano e na intervenção na sociedade.

No decorrer dos anos, a centenária Rede foi modernizada e está presente em todos o território brasileiro, principalmente em seu interior. Atualmente são 661 campi em 578 municípios do País. Mais de um milhão e meio de estudantes frequentam um dos quase 12 mil cursos ofertados desde o nível básico até a pós-graduação. Para isso, a estrutura nacional conta com mais de 80 mil servidores. A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica é formada por 38 Institutos Federais; dois Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets); 22 Escolas Técnicas Vinculadas às Universidades Federais; e pelo Colégio Pedro II.

As instituições são referências nacional e mundial em suas áreas de atuação, com desempenho comprovado pelos resultados dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). “Nossas instituições contam com uma boa infraestrutura de salas de aula e laboratórios, além de um corpo técnico muito qualificado. Nossos docentes conseguem trabalhar os conteúdos de Ensino, Pesquisa e Extensão de maneira indissociada, o que confere a Rede Federal uma qualidade exemplar”, analisa o reitor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Odacir Antônio Zanatta.

Além do ensino verticalizado, outro diferencial é o alinhamento dos projetos de ensino, pesquisa e extensão aos arranjos produtivos locais e às demandas do mundo do trabalho, potencializando o desenvolvimento regional e gerando empregabilidade dos egressos, além de promover a inclusão. “A influência que os Institutos Federais tem no desenvolvimento local é extremamente importante. Cada vez mais precisamos de projetos de iniciação científica fortes para que eles se integrem às comunidades e consigam atingir as populações mais carentes para gerar renda. Vale ressaltar que a interiorização é uma de nossas principais premissas,” pondera a reitora do Instituto Federal do Mato Grosso do Sul (IFMS), Elaine Borges Cassiano.

No entanto, toda essa estrutura poderá perecer, dadas às constantes quedas orçamentárias, cortes e desinvestimento. Para o orçamento de 2023 dos Institutos Federais, o Ministério da Educação (MEC) prevê R$ 300 milhões a menos na comparação ao recurso disponibilizado em 2022. “Estamos falando disso há algum tempo. Todo esse cenário é desalentador. Temos que ter garantias de uma reposição desse orçamento para não inviabilizar uma série de ações que dizem respeito ao ensino, a pesquisa, a extensão e ao funcionamento das instituições. A Rede Federal promove o desenvolvimento e dá uma maior empregabilidade aos nossos jovens, mas para isso é preciso ter sustentabilidade e garantias de um orçamento”, afirma o presidente do Conif, Claudio Alex Jorge da Rocha.

A verba que poderá ser cortada é destinada ao pagamento de despesas de custeio, que incluem gastos como água, luz, limpeza e bolsas dos alunos. O valor ainda é uma previsão, já que o Congresso precisa votar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que foi enviado pelo Governo Federal em agosto. Apesar das dificuldades orçamentárias, a Rede Federal segue exercendo seu papel primordial de ofertar para os brasileiros uma educação pública, gratuita e de excelência, qualidade essa comprovada ao se observar o desempenho de dezenas de estudantes e egressos que estudaram em uma das instituições da Rede Federal.

Conheça alguns casos de sucesso que mostram a necessária importância do investimento na Educação Profissional, Científica e Tecnológica, como uma política de Estado robusta e eficaz. Para conhecer outras histórias, que movimentaram a Rede Federal nos últimos 113 anos, acesse o Instagram do Conif. A página compartilha histórias de estudantes, egressos (as) e servidores (as), que tiveram suas vidas mudadas pelas instituições que compõe o Conselho.

 

Ciência e o asteroide Estradioto

A egressa do IFRS, Juliana Estradioto, conquistou o 1ª lugar com a pesquisa “Desenvolvimento de Filme Plástico Biodegradável a partir da Fibra Residual do Maracujá” no Prêmio Jovem Cientista de 2018. A primeira colocação também foi garantida na Intel International Science and Engineering Fair (Isef) com o trabalho sobre o aproveitamento da casca da macadâmia. A conquista deu a ela a oportunidade de batizar um asteroide com seu sobrenome.

 

De Minas para a Nasa

Ivair Gontijo nasceu Moema (MG), trabalhou na infância como engraxate, estudou no IFMG Campus Bambuí (antigo Colégio Agrícola), onde teve seu primeiro contato com nomes como Isaac Newton e Albert Einstein. Hoje, ele é cientista da Agência Espacial americana (NASA) e trabalhou na equipe que enviou para Marte um drone batizado com o nome de “Perseverance” (Perseverança).

 

Melhores do mundo

O estudante Lucas Tejedor está entre os dez finalistas do Global Student Prize 2022, que elege os "melhores estudantes do mundo". O anúncio dos finalistas ocorreu em agosto de 2022. O estudante do Cefet/RJ mora em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e aluno do 4º ano do ensino médio técnico do Cefet-RJ, ele gasta 5 horas no transporte público para ir e voltar do colégio (entre ônibus, trem e trechos a pé). O jovem já conquistou inúmeras medalhas em eventos de destaque nacional, como a Feira Brasileira de Jovens Cientistas (FBJC) e a Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação (FECTI), maior feira de ciências do estado do Rio de Janeiro.

 

Combate à pobreza menstrual

Laura Drebes e Camily Pereira desenvolveram absorventes higiênicos mais baratos e ambientalmente sustentáveis, em comparação com os produtos encontrados no mercado, de algodão e plástico. O baixo custo dos absorventes, que é de R$ 0,02 em média, contribui para reduzir o problema da falta de acesso a produtos adequados para o cuidado da higiene menstrual. O projeto foi premiado no Prêmio Jovem da Água de Estocolmo (Stockholm Junior Water Prize – SJWP). Elas foram as únicas representantes do Brasil no evento, que ocorreu em agosto de 2022.

Conif – Criado em 24 de março de 2009, o Conselho reúne os dirigentes máximos dos 38 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica (Cefets) e o Colégio Pedro II e tem dentre os objetivos a valorização, o fortalecimento e a consolidação da Rede Federal, que contabilizam mais de 600 unidades em todo o País. O Conif atua no debate e na defesa da educação pública, gratuita e de excelência.

 

TEXTO: Assessoria de Comunicação do Conif

FOTOS: Banco de Imagens da Rede Federal

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