{"id":5592,"date":"2026-09-21T11:10:34","date_gmt":"2026-09-21T14:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.ifpe.edu.br\/paulista\/?p=5592"},"modified":"2026-09-21T11:10:34","modified_gmt":"2026-09-21T14:10:34","slug":"artigo-sobre-pessoas-com-deficiencia-e-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-e-publicado-na-revista-travessias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.ifpe.edu.br\/paulista\/noticias\/artigo-sobre-pessoas-com-deficiencia-e-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-e-publicado-na-revista-travessias\/","title":{"rendered":"Artigo sobre pessoas com defici\u00eancia e pessoas diagnosticadas com autismo \u00e9 publicado na Revista Travessias"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Artigo &ldquo;<a href=\"https:\/\/e-revista.unioeste.br\/index.php\/travessias\/en\/article\/view\/37340\">Pessoas com defici&ecirc;ncia e pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil: uma an&aacute;lise dos dados do Censo IBGE 2022 por cor\/ra&ccedil;a e dificuldades funcionais<\/a>&rdquo; da professora Andreza Vidal Bezerra, professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) do IFPE Campus Paulista, com a professora Adenize Queiroz de Farias, da Universidade Federal da Para&iacute;ba; e o professor Luiz Renato Martins da Rocha, da Universidade de S&atilde;o Paulo, foi publicado na Revista Travessias &ndash; uma publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica eletr&ocirc;nica quadrimestral ligada ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Letras e ao Grupo de Pesquisas em Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura, Linguagem e Arte da Universidade Estadual do Oeste do Paran&aacute;.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As pesquisadoras e o pesquisador se aproximaram por conta da &aacute;rea de interesse, por meio dos estudos e das pesquisas desenvolvidas no campo da Educa&ccedil;&atilde;o Especial Inclusiva e dos Estudos da Defici&ecirc;ncia. O artigo, idealizado pelo professor Luiz da Rocha, resulta de uma colabora&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica constru&iacute;da a partir de interesses de pesquisa que se entrela&ccedil;am e a entrevista abaixo conta as respostas do trio de professores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O artigo, publicado na Revista Travessias,&nbsp; integra a se&ccedil;&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o, Volume 20, n&ordm; 3 de 2026. A Revista divulga estudos nas &aacute;reas de educa&ccedil;&atilde;o, cultura, linguagem, literatura e artes e publica artigos cient&iacute;ficos, ensaios, resenhas e outros tipos de produ&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como surgiu a ideia do artigo?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ideia do artigo surgiu a partir da divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados preliminares do Censo Demogr&aacute;fico 2022 sobre pessoas com defici&ecirc;ncia e pessoas diagnosticadas com autismo, os quais representam um marco importante, especialmente porque, pela primeira vez, o Censo brasileiro reuniu informa&ccedil;&otilde;es de abrang&ecirc;ncia nacional sobre pessoas diagnosticadas com autismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao analisarmos os dados, percebemos a necessidade de ir al&eacute;m dos n&uacute;meros absolutos e observar como essas popula&ccedil;&otilde;es estavam distribu&iacute;das por cor\/ra&ccedil;a, ou seja, a partir de uma perspectiva interseccional, bem como os tipos e os graus de dificuldades funcionais apresentados pelas pessoas com defici&ecirc;ncia. A partir desta inquieta&ccedil;&atilde;o passamos a refletir sobre o que os indicadores revelam, mas tamb&eacute;m sobre as desigualdades que podem permanecer invisibilizadas, sobretudo quando consideramos as barreiras raciais, econ&ocirc;micas, territoriais e institucionais no acesso ao diagn&oacute;stico e aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/span><\/p>\n<p><b>Qual a import&acirc;ncia do artigo?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A import&acirc;ncia do artigo reside na an&aacute;lise de dados in&eacute;ditos e de abrang&ecirc;ncia nacional sobre pessoas com defici&ecirc;ncia e pessoas diagnosticadas com autismo, considerando os recortes de cor\/ra&ccedil;a e as dificuldades funcionais, demonstrando que os n&uacute;meros precisam ser interpretados de forma cuidadosa, pois uma maior quantidade absoluta de pessoas em determinado grupo n&atilde;o significa, necessariamente, maior preval&ecirc;ncia ou maior exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; defici&ecirc;ncia ou ao autismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os resultados indicam que 7,3% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira com 2 anos ou mais apresenta alguma defici&ecirc;ncia e que 1,2% da popula&ccedil;&atilde;o foi declarada como diagnosticada com autismo. Embora a distribui&ccedil;&atilde;o por cor\/ra&ccedil;a seja relativamente pr&oacute;xima &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o geral, identificamos uma presen&ccedil;a proporcional discretamente maior de pessoas pretas entre aquelas com defici&ecirc;ncia. Em rela&ccedil;&atilde;o ao autismo, observamos uma participa&ccedil;&atilde;o relativa um pouco maior de pessoas brancas e menor de pessoas pretas e pardas entre aquelas que possuem diagn&oacute;stico declarado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os dados supracitados n&atilde;o nos permitem afirmar que o autismo seja mais frequente entre pessoas brancas. Ao contr&aacute;rio, podem indicar desigualdades nos percursos de acesso ao diagn&oacute;stico e aos servi&ccedil;os especializados. Nesse sentido, o artigo contribui para problematizar a invisibiliza&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica de determinados grupos e reafirma que as pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o precisam ser, simultaneamente, orientadas pela equidade.<\/span><\/p>\n<p><b>Quais as dificuldades que voc&ecirc;s encontraram para analisar os dados de pessoas com defici&ecirc;ncia e pessoas diagnosticadas com autismo na constru&ccedil;&atilde;o do artigo?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das principais dificuldades decorreu do fato de que, durante a elabora&ccedil;&atilde;o da pesquisa, os microdados referentes &agrave;s vari&aacute;veis de defici&ecirc;ncia e autismo ainda n&atilde;o estavam dispon&iacute;veis. Trabalhamos, portanto, com resultados preliminares e tabelas agregadas do Censo Demogr&aacute;fico 2022, condi&ccedil;&atilde;o esta que impossibilitou a realiza&ccedil;&atilde;o de cruzamentos individualizados entre ra&ccedil;a, g&ecirc;nero, renda, escolariza&ccedil;&atilde;o, territ&oacute;rio, defici&ecirc;ncia e autismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m n&atilde;o foi poss&iacute;vel constituir grupos espec&iacute;ficos, como pessoas com defici&ecirc;ncia sem autismo, pessoas autistas sem defici&ecirc;ncia, pessoas que apresentam ambas as condi&ccedil;&otilde;es e pessoas sem defici&ecirc;ncia ou autismo. Al&eacute;m disso, as informa&ccedil;&otilde;es possuem universos et&aacute;rios distintos: os dados sobre dificuldades funcionais abrangem pessoas a partir dos 2 anos, enquanto a investiga&ccedil;&atilde;o sobre autismo considera pessoas de todas as idades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro desafio importante est&aacute; relacionado &agrave; pr&oacute;pria forma de identifica&ccedil;&atilde;o. No caso da defici&ecirc;ncia, o Censo utiliza perguntas sobre tipos e graus de dificuldades funcionais. Para o autismo, utiliza uma pergunta sobre a exist&ecirc;ncia de diagn&oacute;stico realizado previamente por profissional de sa&uacute;de. Desse modo, os dados n&atilde;o mostram necessariamente quantas pessoas autistas existem no pa&iacute;s, mas quantas tiveram acesso a um diagn&oacute;stico e foram assim declaradas no Censo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A distin&ccedil;&atilde;o explicitada acima exige cautela, pois o acesso ao diagn&oacute;stico n&atilde;o ocorre de forma igualit&aacute;ria. Barreiras econ&ocirc;micas, raciais, territoriais, regionais e institucionais podem contribuir para o diagn&oacute;stico tardio ou para a subidentifica&ccedil;&atilde;o de pessoas pertencentes a grupos socialmente vulnerabilizados.<\/span><\/p>\n<p><b>Diante dos resultados apresentados pelo estudo, quais pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a&ccedil;&otilde;es nas &aacute;reas de educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, acessibilidade e inclus&atilde;o precisam ser fortalecidas para garantir direitos e reduzir as desigualdades vivenciadas por pessoas com defici&ecirc;ncia e pessoas diagnosticadas com autismo?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os resultados refor&ccedil;am a necessidade de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas intersetoriais, orientadas pelos princ&iacute;pios da inclus&atilde;o, da acessibilidade e da equidade. Na educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; fundamental fortalecer a forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada dos profissionais, o Atendimento Educacional Especializado, a acessibilidade pedag&oacute;gica e comunicacional, a oferta de tecnologias assistivas e a constru&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas que assegurem n&atilde;o apenas o acesso, mas tamb&eacute;m a perman&ecirc;ncia, a aprendizagem, a participa&ccedil;&atilde;o e a conclus&atilde;o dos percursos educacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na sa&uacute;de, &eacute; necess&aacute;rio ampliar o acesso gratuito e territorializado &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o, ao diagn&oacute;stico e ao acompanhamento multiprofissional, especialmente para as popula&ccedil;&otilde;es negras, ind&iacute;genas, perif&eacute;ricas, rurais e residentes em regi&otilde;es com menor oferta de servi&ccedil;os especializados. Tamb&eacute;m &eacute; indispens&aacute;vel enfrentar o racismo institucional como uma barreira que pode interferir no reconhecimento das necessidades, nos encaminhamentos e na continuidade do cuidado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No campo da acessibilidade, os dados evidenciam a necessidade de investimentos em acessibilidade urbana, comunicacional, informacional, digital e atitudinal, al&eacute;m da amplia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de ocular, reabilita&ccedil;&atilde;o, mobilidade e tecnologia assistiva. Como as dificuldades de maior grau se concentram proporcionalmente na mobilidade e nas fun&ccedil;&otilde;es mentais e de comunica&ccedil;&atilde;o, algumas situa&ccedil;&otilde;es demandam suportes mais intensivos e articulados entre sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia social e trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb&eacute;m defendemos o aprimoramento dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o e monitoramento. As quest&otilde;es referentes ao autismo e &agrave;s dificuldades funcionais poderiam integrar o question&aacute;rio b&aacute;sico dos pr&oacute;ximos censos, acompanhadas de cuidados metodol&oacute;gicos na formula&ccedil;&atilde;o das perguntas e na forma&ccedil;&atilde;o das pessoas recenseadoras. Isso permitiria ampliar a cobertura e produzir informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas em munic&iacute;pios e territ&oacute;rios atualmente pouco representados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por fim, &eacute; fundamental que as pessoas com defici&ecirc;ncia e as pessoas autistas participem da elabora&ccedil;&atilde;o, do acompanhamento e da avalia&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas. Mais do que identificar impedimentos individuais, &eacute; preciso reconhecer e eliminar as barreiras sociais, institucionais e materiais que restringem oportunidades. O desafio consiste em transformar os dados produzidos pelo Censo em a&ccedil;&otilde;es concretas, capazes de promover autonomia, participa&ccedil;&atilde;o social e garantia de direitos.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"lazyload alignnone size-medium wp-image-5594\" alt=\"\" width=\"137\" height=\"300\" srcset=\"\" sizes=\"(max-width: 137px) 100vw, 137px\" data-sizes=\"auto\" data-src=\"https:\/\/portal.ifpe.edu.br\/paulista\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/09\/Foto-de-perfil-Luiz-137x300.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/portal.ifpe.edu.br\/paulista\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/09\/Foto-de-perfil-Luiz-137x300.jpeg 137w, https:\/\/portal.ifpe.edu.br\/paulista\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/09\/Foto-de-perfil-Luiz-206x450.jpeg 206w, https:\/\/portal.ifpe.edu.br\/paulista\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/09\/Foto-de-perfil-Luiz.jpeg 310w\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"lazyload alignnone size-medium 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