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Publicação analisa uso da IA na educação e impactos no ensino-aprendizagem
Estudo avalia limites e possibilidades com abordagem que considere currículo, formação docente, avaliação e diferentes contextos educacionais
A expansão do uso da inteligência artificial (IA) na educação tem provocado debates sobre como essas tecnologias podem contribuir para os processos de ensino-aprendizagem. Mais do que incorporar novas ferramentas às práticas pedagógicas, a discussão envolve compreender em que condições, com quais objetivos e sob quais critérios a IA pode efetivamente contribuir para a educação.
É a partir dessa perspectiva que o professor de Língua Portuguesa do IFPE Vitória de Santo Antão, Marcos Antônio Soares Andrade Filho, desenvolveu uma análise sobre as relações entre inteligência artificial e educação, com atenção especial aos desafios enfrentados pelos sistemas educacionais do chamado Sul Global.
Intitulado “Systemic Thinking as an Ethical Stance: A Critical Assessment of Artificial Intelligence and Education in the Global South”, o trabalho apresenta uma resenha analítico-crítica da obra Artificial Intelligence and Education in the Global South: A Systems Perspective“, de Fernando Reimers e colaboradores, publicada este ano.
IA na educação: além da tecnologia
Um dos principais pontos discutidos no estudo é a necessidade de evitar uma visão da IA como uma solução autônoma para os desafios educacionais. Para o professor Marcos, a incorporação dessas tecnologias precisa ser compreendida dentro de um sistema sociotécnico, no qual diferentes elementos da educação estão interligados.
Nesse sentido, a utilização da Inteligência Artificial deve estar articulada a aspectos como currículo, formação e atuação docente, processos de avaliação, gestão e governança educacional e condições concretas de cada instituição e comunidade escolar.
A análise de Andrade Filho também diferencia melhoria educacional e transformação educacional. Enquanto determinadas tecnologias podem contribuir para aperfeiçoar práticas já existentes, uma transformação efetiva exige mudanças mais amplas na forma como os processos educativos são concebidos e desenvolvidos.
O papel do professor permanece central
Outro aspecto destacado no artigo é a agência humana e docente nos processos de incorporação dessas tecnologias. A presença crescente da IA em atividades acadêmicas não elimina a importância do professor. Ao contrário, amplia a necessidade de profissionais capazes de avaliar criticamente as informações produzidas pelas tecnologias, definindo objetivos pedagógicos e tomando decisões adequadas a cada contexto.
Essa discussão ganha importância diante da rápida expansão das ferramentas de IA generativa, que passaram a fazer parte do cotidiano de estudantes e educadores.
Os desafios do Sul Global
A análise também chama atenção para a necessidade de considerar as desigualdades existentes entre diferentes sistemas educacionais. A adoção de tecnologias desenvolvidas em determinados contextos não pode ser pensada de maneira uniforme.
De acordo com a publicação, pensar a IA a partir do Sul Global significa reconhecer que seus possíveis impactos e formas de utilização estão diretamente relacionados às condições concretas de cada realidade educacional.
O artigo do professor Marcos Antônio foi publicado em agosto deste ano no periódico científico Global Review of Social Sciences, Education and Humanities e está disponível gratuitamente para leitura e download.