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Entre despedidas e novos começos: estudantes de Artes Visuais do IFPE Olinda transformam TCC em exposição aberta ao público

Exposição reúne produções artísticas desenvolvidas como Trabalho de Conclusão de Curso e evidencia a diversidade de percursos, linguagens e trajetórias dos estudantes do IFPE Olinda.


Cada um, um caminho. O título da exposição parece resumir não apenas os trabalhos espalhados pelas paredes e pelo espaço expositivo do IFPE Olinda, mas também as trajetórias de quem chegou até ali. Na manhã desta quarta-feira (8), estudantes concluintes do Curso Técnico em Artes Visuais apresentaram ao público suas produções de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), transformando o encerramento de uma etapa acadêmica em um encontro entre arte, pesquisa e experiências de vida.

Mais do que uma avaliação final, a exposição revela percursos. Gravuras, pinturas, fotografias, instalações, pintura digital e experimentações visuais dialogam entre si sem buscar um tema único. O que une as obras é justamente a pluralidade de olhares, de referências e de modos de compreender o mundo.

No Curso Técnico em Artes Visuais do IFPE Olinda, o TCC também pode assumir diferentes formatos. Além da exposição artística, estudantes podem optar pela elaboração de um trabalho teórico, que será apresentado em banca nesta quinta-feira (9), encerrando oficialmente o ciclo formativo da turma.

Segundo a coordenadora do curso, Luciene Pontes, essa liberdade faz parte da proposta pedagógica. “O estudante escolhe o formato. Pode desenvolver um trabalho prático relacionado a alguma disciplina ou fazer uma pesquisa teórica. Nesta exposição temos pintura, fotografia, gravura, pintura digital, trabalhos ligados a projetos de extensão… São escolhas realizadas pelos próprios estudantes”.

Luciene destaca que, ao longo dos anos, o próprio significado do Trabalho de Conclusão de Curso vem sendo ressignificado. “O TCC fecha alguns ciclos, mas também deixa outros em aberto. Hoje ele tem muitos significados. Para alguns é um momento de perder o sono; para outros, acontece de forma mais leve. Na arte, nada está totalmente fechado. A obra está sempre em construção. E o nosso trabalho aqui no Campus Olinda também é uma obra em construção”.

Para ela, a diversidade presente na exposição também reflete a diversidade dos próprios estudantes. “Temos pessoas que já estão inseridas no mercado artístico, outras que estão iniciando seus processos criativos e também aquelas que escolheram as Artes Visuais como uma segunda formação. O campus provoca e fomenta todos esses lugares”. Essa multiplicidade aparece claramente nas obras apresentadas.

Uma das participantes é Lua Lim, artista que já realizou exposições em espaços como o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) e a Galeria Janete Costa. No IFPE Olinda, ela apresenta um recorte da exposição O que me faz partir, que permaneceu em cartaz durante três meses no MAMAM. As duas obras escolhidas (Serrete e Oráculo do Desejo) investigam poeticamente aquilo que existe entre a decisão e a ação.

“Meu trabalho é uma investigação poética da iminência do corte. É sobre aquilo que está prestes a acontecer. Existe uma linha tensionada pelo corpo, pelo desejo, pela decisão. Para mim, apresentar esse trabalho como TCC representa justamente esse último corte, uma despedida consciente e, ao mesmo tempo, o início de um novo caminho”. Embora já desenvolvesse sua produção artística antes de ingressar no curso, Lua afirma que sua passagem pelo IFPE marcou profundamente seu percurso.

“É impossível passar por um lugar e sair igual. O IFPE me deu espaço para experimentar, explorar e me jogar. Muitos trabalhos nasceram aqui. Eu tinha vergonha de mostrar minha produção, e foi no Campus Olinda que comecei a expor, participar do CAOS e trocar com professores e colegas. Esse ambiente fez parte da construção da artista que sou hoje”.

Também estreando uma nova fase está o estudante Ruan Ricardo, que escolheu apresentar a pintura A Primeira Ceia, uma releitura da clássica Última Ceia, de Leonardo da Vinci. A obra inaugura uma série autoral desenvolvida pelo estudante e representa também sua primeira experiência com tinta a óleo. “Eu fiz essa releitura trazendo a caricatura para o meu estilo. Foi meu primeiro quadro em tinta a óleo e quero continuar essa série. Ao longo do curso, foi a técnica com a qual mais me identifiquei. Foi ela que mais dialogou comigo”.

Ruan conta que a formação ampliou suas perspectivas profissionais e reforçou seu desejo de seguir atuando no campo das artes. “O IFPE me ensinou muito, principalmente sobre mediação cultural, gravura e pintura. Hoje penso em abrir meu próprio ateliê ou, quem sabe, trabalhar em um museu. O curso despertou em mim essa vontade de pesquisar mais, conhecer técnicas e continuar aprendendo”.

Ao reunir trabalhos tão distintos, a exposição reafirma uma característica marcante do Curso Técnico em Artes Visuais do IFPE Olinda: compreender a arte como processo. Mais do que apresentar respostas prontas, as obras convidam o público a acompanhar investigações, inquietações e descobertas que seguem em movimento. Cada trabalho revela uma linguagem própria. Cada estudante percorreu um caminho diferente. E, reunidos, esses caminhos demonstram que concluir um curso em Artes Visuais não significa chegar ao fim, mas dar o primeiro passo para uma nova trajetória criativa.

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