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Festival Audiovisual do IFPE Olinda reúne documentários e celebra cultura local

Após adiamento por conta das chuvas, terceira edição do evento foi realizada no Teatro Fernando Santa Cruz e destacou narrativas sobre artistas e tradições de Olinda


O III Festival Audiovisual do IFPE Olinda foi realizado na noite da última quarta-feira (8), no Teatro Fernando Santa Cruz, reunindo estudantes, professores, artistas e público externo em uma celebração da produção audiovisual desenvolvida no campus. A exibição dos documentários marcou o resultado do trabalho dos estudantes do curso superior de Produção Multimídia, que apresentaram ao público seis curtas construídos a partir de vivências, pesquisas e encontros com personagens da cultura local.

A programação contou com a exibição de seis documentários, que abordaram diferentes temáticas ligadas à arte, ao design e às expressões culturais de Olinda. Segundo a professora Renata Cadena, uma das organizadoras do festival, os trabalhos refletem uma proposta pedagógica conectada à extensão e ao território.

“Os temas são pensados a partir da curricularização da extensão. Nesse semestre, trabalhamos com designers e artistas a partir do epicentro de Olinda. Alguns foram para arte popular, outros para expressões contemporâneas, como a expressão drag, mas sempre a partir de criadores e criadoras visuais”, explicou.

A docente também ressaltou a importância de espaços como o festival para a valorização da produção estudantil. “Ter um festival é importante para a gente viver isso aqui. Primeiro, valoriza quem faz, que se sente reconhecido, e também mostra para a sociedade o resultado desse investimento no curso.”

Entre os destaques da noite, o documentário A linguagem de Petronio Cunha trouxe à tona a trajetória de um importante artista ligado à identidade visual de Olinda. Para o estudante Thyago Tenório, a experiência de produção foi transformadora.

“Eu realmente não conhecia o Petrônio e o Antônio antes desse documentário. Foi uma grande experiência, mudou muito a nossa perspectiva sobre os artistas de Olinda e os artistas nacionais de forma geral. Como a gente realmente conhece pouco da nossa própria cultura”, destacou.

Ele também enfatizou o impacto do contato direto com os personagens retratados. “Foi muito interessante e emocionante como eles abriram a casa deles e contaram um pedacinho da trajetória.” O artista Petrônio Cunha marcou presença no festival e destacou a importância do trabalho realizado pelos estudantes para documentar trabalhos relevantes para a história da arte desenvolvida em Pernambuco.

O grupo já projeta novos passos para o trabalho. “A gente já inscreveu em alguns festivais, como um que correr´ festival no Rio Grande do Norte e outro em Clamoa, e pretende inscrever em mais, além de ajustar a edição”, completou.

Outro documentário que chamou a atenção do público foi Ladrilhos – artes que contam histórias, dirigido pela estudante Suelen Gonçalves. A obra mergulha na tradição do ladrilho hidráulico em Olinda, a partir do cotidiano de duas fábricas artesanais.

“É um documentário que propõe uma imersão sensível na tradição artesanal do ladrilho hidráulico na cidade de Olinda. Mais do que um objeto decorativo, o ladrilho é apresentado como símbolo de memória, identidade e resistência cultural”, explicou.

Suelen também compartilhou a motivação pessoal por trás do projeto. “Esse curta foi pensado muito antes de acontecer, porque eu nasci e cresci numa casa que tinha ladrilhos hidráulicos no chão, e eu achei que isso deveria ser contado.”

Inicialmente previsto para a semana anterior, o festival precisou ser adiado em razão das fortes chuvas. Ainda assim, a realização do evento foi comemorada pela comunidade acadêmica. Para a diretora-geral do IFPE Olinda, Luciana dos Santos Tavares, o momento representou superação e orgulho institucional.

“A gente deveria ter realizado já na quarta passada nossa terceira edição do Festival, mas não conseguimos por conta das chuvas. Hoje fizemos um movimento grande para conseguir realizar este evento. É uma pena que não estejam todas as pessoas que gostariam de se fazer presentes, mas eu sei quem está, e já vi presenças ilustres aqui, de pessoas queridas e tão importantes para a cultura”, afirmou.

Luciana também destacou o papel do curso de Produção Multimídia na formação dos estudantes e no fortalecimento do audiovisual. “O quanto esse curso fortalece o nosso campus, o quanto de orgulho a gente tem quando fala de um festival como esse. Que a gente possa fortalecer cada vez mais o audiovisual no nosso estado, que já tem um lugar ao sol.”

Ao longo da noite, o festival evidenciou não apenas a qualidade técnica das produções, mas também o compromisso dos estudantes em registrar e valorizar histórias, saberes e expressões culturais do território. O evento reafirmou sua importância como espaço de formação, visibilidade e fortalecimento do audiovisual pernambucano.

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