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Grupo de pesquisa do IFPE Recife é credenciado como a mais nova Unidade Embrapii do país

Conquista foi alcançada pelo grupo de pesquisa em Sistemas Termo-fluido-mecânicos Inteligentes (STFMi), criado há sete anos no Curso Técnico em Refrigeração e Climatização.


O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) foi credenciado, na última terça feira (24), como a mais nova Unidade Embrapii do país. A decisão do  Ministério da Educação (MEC) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) culminou um longo processo de capacitação e apresentação de projetos de todo o país, e beneficiou também os Institutos Federais de Matogrosso (IFMT) e do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG). O investimento a ser aplicado nas três novas unidades é de R$ 9 milhões, dentro de um total de R$ 70 milhões previstos para a rede Embrapii como um todo em 2026.

Agora, metade das Unidades Embrapii são vinculadas ao Ministério da Educação (MEC). O programa possui 93 Unidades, sendo 46 ligadas ao MEC. Destas, 16 estão instaladas em Institutos Federais, reforçando o papel destas instituições no ecossistema brasileiro de inovação. O credenciamento dos IFs amplia o impacto da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no desenvolvimento econômico do país, criando novas oportunidades de pesquisas aplicadas, fortalecendo seu papel de protagonistas e mediadores na inovação e conexão entre a educação profissional e tecnológica e o setor produtivo, contribuindo para o desenvolvimento regional e facilitando a geração de soluções tecnológicas para as indústrias. As novas unidades agora poderão negociar diretamente projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com as empresas.

O Campus Recife e, mais precisamente, o Curso Técnico em Refrigeração e Climatização, foram os credenciados do IFPE no programa da Embrapii. O grupo de pesquisa que ficará à frente das atividades da nova unidade é o de Sistemas Termo-fluido-mecânicos Inteligentes (STFMi), que tem foco em tecnologias inovadoras para descarbonização industrial e transição energética e é liderado pelos professores Gustavo Novaes e Álvaro Ochoa.

>> Veja a matéria publicada na página do IFPE Oficial 


Como o STFMi foi escolhido para integrar o programa

Na opinião do professor Gustavo Novaes, a escolha da Embrapii pelo IFPE aconteceu como um reconhecimento à atuação do STFMi, que já tinha experiência com captação de recursos e de parceria junto às indústrias locais. Em 2025, o MEC e a Embrapii lançaram uma chamada para Capacitação de Grupos de Pesquisa em Institutos Federais. “Nossa Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PROPESQ) conduziu, com muito cuidado, o processo interno de seleção, já que apenas um grupo poderia representar o IFPE, e ao final o STFMi foi escolhido. Esse processo de capacitação foi extremamente enriquecedor e envolveu palestras, visitas a outras Unidades Embrapii e uma avaliação aprofundada da nossa maturidade institucional em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação”, conta Gustavo Novaes. Para ele, o mais valioso no processo foi “a sinergia que se estabeleceu entre a Reitoria, a gestão do Campus Recife e todos os pesquisadores envolvidos, com todo mundo remando na mesma direção”.

O modelo Embrapii conecta indústria, governo e instituições de pesquisa com financiamento tripartite e governança profissional. Ainda de acordo com Gustavo Novaes, “foi possível perceber que era exatamente o ecossistema que o IFPE e o STFMi precisavam para ampliar o alcance do que já vinha sendo construído”. Na sequência, foi lançada a chamada para o cadastramento de três novas Unidades Embrapii nos Institutos Federais, com diversas instituições concorrendo. “Preparamos a proposta de credenciamento com rigor, aplicando o que aprendemos na capacitação e descrevendo nossas capacidades em infraestrutura, recursos humanos e governança institucional. O resultado final foi a validação de um trabalho coletivo. É um ponto de partida, não de chegada”, comemora o pesquisador.

Reconhecimento de um percurso de esforço e sucesso

O STFMi surgiu em 2019, quando a coordenação do curso de Refrigeração e Climatização aliou seus profissionais com sólida formação acadêmica ao bom relacionamento que vários também tinham com a indústria, unindo essas forças em torno de um grupo formal de pesquisa. “Desde o início, o STFMi foi construído com base em parcerias. O grupo cresceu de forma orgânica à medida que colegas de outros cursos, como Mecânica, Eletrônica e Química, além de outras instituições, como o Centro de Energias Renováveis da UFPE, foram se somando ao grupo através dos projetos de pesquisa”, relembra Gustavo Novaes.

Cada parceria trouxe novas capacidades e perspectivas, e foi essa soma de esforços que permitiu que o STFMi alcançasse resultados que nenhum dos pesquisadores teria conseguido sozinho: cerca de R$ 2 milhões em projetos com a indústria, mais de 100 artigos publicados em periódicos de alto impacto, quatro bolsistas de produtividade do CNPq, aprovações em editais da FINEP, CNPq, FACEPE e SEBRAE, e um portfólio expressivo de propriedade intelectual em patentes e softwares. “Hoje somos mais de 20 pesquisadores, organizados em três frentes complementares: eficiência e transição energética; digitalização e integração de sistemas renováveis com processos industriais; e prototipagem, IoT e modelagem computacional”, detalha.

Para ele, “o ponto mais importante é que esse resultado é fruto de um esforço institucional coletivo da Reitoria, da PROPESQ, da gestão do Campus Recife, dos pesquisadores, dos técnicos e dos estudantes que acreditaram nesse projeto. Essa mesma cultura de parceria e construção conjunta é que vai garantir o sucesso da Unidade Embrapii nos próximos anos”.

Passos para o futuro

No curso de Refrigeração e Climatização, o impacto da notícia foi imediato e concreto. O STFMi trabalha com sistemas térmicos, climatização e eficiência energética, que formam o núcleo técnico do curso. Com a Unidade Embrapii em operação, pesquisadores e alunos do curso terão a oportunidade de se engajar em projetos reais com empresas, como parte da própria formação. “Isso é algo que nenhuma sala de aula consegue replicar: a experiência de resolver um problema real, com prazo, cliente e responsabilidade técnica de verdade”, destaca Gustavo Novaes.

A etapa de contratação de empresas vai começar formalmente após a confirmação do credenciamento, mas o STFMi já realizou um trabalho prévio de prospecção bastante avançado, em que foram mapeadas mais de 200 indústrias com demandas alinhadas às sublinhas de pesquisa do grupo (eficiência e transição energética; digitalização e integração de sistemas renováveis com processos industriais; e prototipagem, IoT e modelagem computacional).

Ser uma Unidade Embrapii é receber um “selo de qualidade” para a pesquisa aplicada à indústria, e a partir do momento que o IFPE passa a integrar essa rede, as grandes empresas (que já conhecem e respeitam a marca Embrapii) passam a enxergar o Instituto como um parceiro confiável para o desenvolvimento de tecnologia. “Isso reduz barreiras, encurta o caminho entre a demanda industrial e a solução técnica e abre portas que antes levavam muito mais tempo para se abrir”, resume o professor.

O impacto também deve se expandir para o IFPE como um todo. “É algo estratégico e de longo prazo. O Instituto não apenas consolida sua identidade como excelente centro de formação profissional, um papel que aliás já exerce com muito mérito. Nós também passamos a atuar como protagonistas da inovação industrial”, aponta. “Dentro desse contexto, mais projetos trazem mais recursos, que financiam mais infraestrutura e formação, atraem mais estudantes e pesquisadores ainda melhores. Um ciclo virtuoso que beneficia todos os campi e todos os cursos”.

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