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Grupo de pesquisa do IFPE Jaboatão procura pais e mães voluntários para colaborar com projeto de aplicativo para autistas
Ferramenta irá auxiliar quem cuida de autistas a identificar com mais eficácia o que eles(as) desejam comunicar
O Projeto VocalizeAI do IFPE Campus Jaboatão dos Guararapes procura voluntários que sejam pais, mães ou responsáveis por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que tenham interesse em fornecer informações para a finalização de um aplicativo que facilita a comunicação de pessoas com essa condição utilizando Inteligência Artificial.
Idealizada e produzida pelo CAUTA (Computação Aplicada ao Uso Tecnologias Assistivas), grupo de pesquisa do campus, a ferramenta irá auxiliar quem cuida de autistas minimamente verbais – que produzem apenas entre zero e 20 palavras ou aproximações de palavras faladas – a identificar com mais eficácia o que eles desejam comunicar.
Segundo o grupo, o site do aplicativo criou um espaço de inscrição para quem deseja participar do projeto. As pessoas responsáveis por autistas minimamente verbais que se inscreverem receberão instruções de como instalar a versão de teste do aplicativo em seus celulares.
Neste aplicativo poderão ser enviadas, de forma segura e anônima, vocalizações da pessoa com TEA juntamente com o possível significado que cada vocalização está transmitindo.
Interessados poderão preencher formulário que está no endereço https://www.vocalizeai.app.br/
Para mais informações, assista ao vídeo explicativo do projeto AQUI

Como funciona o aplicativo
De acordo com Roberto Alencar, docente do IFPE Jaboatão e coordenador do VocalizeAI (que contou com o auxílio de Thiago Jorge Lins da Hora, estudante do campus), o propósito do aplicativo é identificar e reconhecer o que o autista deseja comunicar a partir de sons não verbais emitidos por ele.
O professor também explicou que a criação do aplicativo foi possibilitada inicialmente graças ao ReCANVo (Real-World Communicative and Affective Nonverbal Vocalizations), um banco de dados inovador que contém mais de 7.000 vocalizações de indivíduos minimamente verbais, categorizadas por função comunicativa, gravadas em ambientes reais e rotuladas em tempo real por familiares próximos que conheciam bem o comunicador. “Utilizamos essas milhares de vocalizações para configurar a Inteligência Artificial do nosso trabalho, capacitando-a para reconhecer mensagens de frustração, prazer, irritação, desconforto, superestimulação ou mesmo autoconversa”, disse Roberto.
Desafios da pesquisa
No entanto, após inserir as vocalizações no sistema e testar a versão inicial da ferramenta com algumas pessoas com autismo, o grupo de pesquisa percebeu que a eficácia do aplicativo ainda estava abaixo do esperado. “Quando testamos com alguns voluntários, verificamos que o percentual de acertos ainda estava abaixo de 50%, o que ainda é ruim para o nosso objetivo”, lamentou o professor, acrescentando que questões relacionadas a idioma, idade e gênero também podem ter interferido no resultado.
Segundo ele, uma das possíveis causas desse insucesso inicial é que as vocalizações do ReCANVo, apesar de muitas, ainda são insuficientes para tornar a Inteligência Artificial do aplicativo mais, digamos, inteligente para identificar com melhor precisão quais sensações ou emoções o autista pouco verbal está sentindo. “Percebemos que é necessária a contribuição de mais autistas brasileiros, que possam ter vocalizações identificadas por seus familiares e que possam gentilmente nos ajudar a aumentar nossa base de dados”, completou Roberto
CAUTA
O CAUTA é um grupo de pesquisa do IFPE – Campus Jaboatão, que tem como foco usar a tecnologia para tornar o mundo mais acessível e inclusivo. Desde 2024, o grupo desenvolve projetos voltados para indivíduos neurodivergentes, buscando soluções que realmente façam diferença no dia a dia de quem precisa de apoio para se comunicar, interagir ou aprender.
Além do VocalizeAI, o grupo também desenvolve o ComuniCAA, um aplicativo de Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA) pensado para pessoas com dificuldades de fala. O app funciona como uma prancha digital que usa imagens, sons e outros recursos para apoiar a expressão de sentimentos, desejos e necessidades. Tudo é feito com base em pesquisas atualizadas, metodologias ágeis e, principalmente, com foco nas pessoas que vão usar essas ferramentas (para mais informações sobre o ComuniCAA, visite https://comunicaa.app.br)