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IFPE promove II Seminário Proeja Fundamental

Palestras, painéis e relatos de experiências marcaram encontro voltado ao fortalecimento da Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional em Pernambuco


O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) realizou, nesta quarta-feira (10), no Auditório Central do Campus Recife, o II Seminário PROEJA Fundamental. Com o tema “EJA-EPT em Movimento: práticas, redes e estratégias na implantação e acompanhamento”, o encontro reuniu gestores/as, docentes, pesquisadores/as, estudantes e representantes das redes públicas de ensino para compartilhar experiências e debater desafios relacionados à Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional (EJA-EPT).

Promovido pela Pró-Reitoria de Ensino (Proden), por meio da equipe do Programa de Apoio à Oferta de Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional, o seminário marcou um momento de socialização das experiências desenvolvidas pelo PROEJA Fundamental no IFPE e de fortalecimento das parcerias construídas com as redes municipais e estadual de educação. Atualmente, a iniciativa é desenvolvida nos campi Afogados da Ingazeira, Barreiros, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Garanhuns, Igarassu, Palmares e Vitória de Santo Antão.

A abertura do evento contou com apresentação do Coral do IFPE Campus Recife, regido pela professora Lucivanda Silva, e com a participação da pró-reitora de Ensino, Magadã Lira; da pró-reitora de Extensão, Laura Silva, do diretor-geral do Campus Recife, Fábio Nicácio e da coordenadora-geral do PROEJA, Laura Cavalcanti.

Em sua fala, ela destacou o caráter simbólico do encontro como culminância de uma etapa importante do projeto e, ao mesmo tempo, como impulso para novas ações. “Hoje é um evento de culminância, pois o projeto de implementação do PROEJA Fundamental no IFPE está chegando ao fim, mas a gente pretende continuar. Vamos ouvir nossos parceiros e compartilhar experiências para motivar outros campi e municípios a implementarem também cursos do PROEJA Fundamental e Médio”, afirmou.

A coordenadora também ressaltou a importância das parcerias estabelecidas ao longo do projeto, incluindo iniciativas voltadas à oferta de cursos em unidades prisionais, a exemplo das experiências desenvolvidas em Caruaru e Igarassu e das articulações em andamento em Palmares.

Para o diretor-geral do Campus Recife, Fábio Nicácio Barbosa de Souza, o PROEJA expressa de forma concreta a missão social dos institutos federais. “O PROEJA é um programa que se conecta muito bem com o papel dos Institutos Federais, que é proporcionar uma sociedade mais justa e mais inclusiva e resgatar oportunidades para quem as perdeu em algum momento”, destacou.

Ao citar dados do IBGE sobre a população brasileira que teve sua trajetória educacional interrompida, o gestor reforçou a importância da educação como instrumento de inclusão social e fortalecimento da democracia.

Já a Pró-Reitora de Extensão Laura Silva enfatizou o compromisso institucional do IFPE com uma formação humana integral. “O Instituto Federal de Pernambuco é essa casa que tem uma função social muito grande. É uma casa de educação profissional, mas que se compromete com uma formação integral. Portanto, também prioriza a arte e a cultura, a discussão de gênero e diversidade e os direitos humanos”, defendeu.

Já a pró-reitora de Ensino Magadã Lira ressaltou o impacto da educação na transformação de trajetórias de vida. “A gente faz diferença na vida das pessoas e acredita que também está aqui para servir esses jovens e adultos. Eles precisam aprender a sonhar e a acreditar que podem realizar. Eles precisam construir o caminho deles”, declarou. Segundo Magadã, iniciativas como o PROEJA Fundamental ampliam horizontes e fortalecem projetos de vida de estudantes que não tiveram acesso à escolarização na idade considerada regular.

EJA, relações étnico-raciais e reparação histórica

A palestra de abertura do seminário foi ministrada pela professora Dra. Dayse Moura, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com o tema “A EJA e as relações étnico-raciais no Brasil: implicações e prática docente”. A atividade foi mediada pelo professor Emílio Vieira de Sousa, vice-coordenador do PROEJA.

Em sua exposição, a pesquisadora abordou a Educação de Jovens e Adultos como instrumento de reparação histórica e ação antirracista, discutindo o impacto do racismo estrutural e institucional nos processos de exclusão educacional. A professora apresentou dados sobre o perfil dos estudantes da EJA, destacando marcadores como raça, gênero, território, trabalho e renda, e chamou atenção para a concentração de estudantes oriundos de grupos historicamente marginalizados.

“A consequência disso na EJA é que os estudantes acreditam que não aprenderam por incapacidade própria e não por um projeto de exclusão. É um ciclo contínuo de exclusão. Os sujeitos da EJA são sobreviventes de um processo de exclusão que os impediu de estudar na idade considerada normal”, afirmou.

Ao defender uma perspectiva emancipatória e antirracista para a modalidade, Dayse Moura destacou a importância da ressignificação das trajetórias educacionais interrompidas. Citando o princípio africano de Sankofa, lembrou que “nunca é tarde para voltar e recolher o que ficou para trás”.

Após a palestra, o público participou de um momento de perguntas e debate. A programação do seminário prosseguiu durante a tarde com sessão de pôsteres, mesa-redonda de relatos de experiências e apresentação de painéis desenvolvidos no âmbito do PROEJA Fundamental.

Realizado em parceria com as redes públicas de ensino de Pernambuco, o II Seminário PROEJA Fundamental reforçou o compromisso do IFPE com o fortalecimento das políticas públicas voltadas à Educação de Jovens e Adultos, incentivando a construção coletiva de estratégias para garantir o acesso, a permanência e o êxito dos estudantes, aliando qualificação profissional, inclusão social e desenvolvimento humano.

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