Notícias
IFPE inicia jornada do Pronasci Juventude com 500 jovens em Pernambuco
Encontros de boas-vindas apresentaram proposta de acompanhamento integral, oficinas e formação profissional para adolescentes e jovens selecionados no Recife e no Cabo de Santo Agostinho
Após um ano de planejamento, articulações institucionais e seleção criteriosa, chegou a semana em que o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) recebeu os 500 adolescentes e jovens que passarão a ser atendidos pelo Pronasci Juventude em Pernambuco. Distribuídos em cinco territórios de Recife e do Cabo de Santo Agostinho, eles participaram, entre os dias 27 e 29 de abril, dos encontros de boas-vindas que marcaram oficialmente o início de uma jornada de 12 meses de formação, acompanhamento e construção de novas perspectivas de futuro.
Mais do que uma cerimônia inicial, os encontros representaram o primeiro contato dos jovens com a dinâmica da iniciativa. Eles conheceram a equipe multiprofissional que os acompanhará ao longo de todo o percurso, receberam orientações sobre as oficinas e cursos profissionalizantes e puderam compreender, de forma concreta, o alcance de uma ação voltada à proteção social, ao fortalecimento de vínculos comunitários e à ampliação de oportunidades.
“Eu espero me profissionalizar para conseguir alcançar meus objetivos. É sempre bom estar se atualizando, colocando curso no currículo”, resumiu a adolescente Daphine Beatriz, de 16 anos, moradora de Três Carneiros Alto, no Ibura, uma das selecionadas.
Executado em Pernambuco pelo IFPE, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública e com as prefeituras do Recife e do Cabo de Santo Agostinho, o Pronasci Juventude atende adolescentes e jovens de 15 a 24 anos em situação de vulnerabilidade sociorracial agravada. São 500 beneficiários distribuídos entre os territórios de Joana Bezerra, Ibura e Cordeiro, na capital, e Ponte dos Carvalhos e Gaibu, no Cabo.
A seleção levou em consideração critérios como trajetória escolar fragmentada, exposição à violência, trabalho infantil associado ao crime organizado, gravidez na adolescência, moradia precária, cumprimento de medidas socioeducativas e outros fatores que evidenciam contextos de maior vulnerabilidade. A proposta é atuar antes que a exclusão social e a ausência de oportunidades empurrem esses jovens para ciclos ainda mais severos de violência.
“Vocês foram escolhidos por toda a história de vida que vocês têm e pela oportunidade que esse projeto pode dar para mudar perspectivas”, destacou a coordenadora geral do Pronasci Juventude em Pernambuco, Cíntia Valéria Batista Pereira, durante as boas-vindas em Ponte dos Carvalhos.
Nos encontros realizados nos cinco territórios, representantes do IFPE, das prefeituras parceiras e das equipes locais reforçaram que a iniciativa foi desenhada para estar presente no cotidiano dos jovens e não apenas ofertar atividades pontuais. Cada um deles será acompanhado por profissionais das áreas de Serviço Social, Psicologia, Pedagogia, Direito, Redução de Danos e Agente Territorial, que atuarão de forma integrada durante todo o ano.
“Vocês podem ver o tanto de gente preparada para estar aqui trabalhando com vocês. Espero que aproveitem ao máximo tudo o que vamos fazer nessa trilha de um ano”, afirmou a coordenadora adjunta local do Recife, Virginia Célia Pessoa de Freitas, ao apresentar a estrutura de funcionamento aos adolescentes.
A gerente geral de Políticas sobre Drogas da Prefeitura do Recife, Sulamir Patrícia Borba, também ressaltou que a ação surge como uma resposta concreta aos impactos da violência sobre a juventude periférica. “O projeto vem para dar ferramentas para que esse ciclo seja rompido. Aqui vocês vão ter oportunidade de fazer escolhas diferentes e construir novos caminhos”, enfatizou.
A primeira etapa prática será dedicada às oficinas comunitárias, todas escolhidas previamente pelos próprios jovens no momento da inscrição, estratégia adotada para fortalecer a identificação com as atividades e estimular a permanência. Cada participante poderá cursar duas oficinas em seu território.
No Recife, serão ofertadas oficinas como Capoeira Arte, Terapia e Desenho e Fotografia e Mídias Digitais, no Cordeiro; Dança Urbana e Popular, Escrita Criativa, Slam, e Informática Básica e Audiovisual, no Ibura; além de Design Gráfico, Criação de Conteúdo Digital e Danças Urbanas, em Joana Bezerra. Já no Cabo de Santo Agostinho, os jovens de Gaibu participarão de Fotografia, Design Gráfico, Teatro do Oprimido e Futebol, enquanto em Ponte dos Carvalhos serão desenvolvidas oficinas de Capoeira, Teatro Social e Futebol.
“Espero aprender coisas novas e construir novos objetivos. Quero um futuro melhor”, contou Emyllayne Thayná Macedo de Lima, de 16 anos, ao comentar a expectativa para o início das atividades.
Em Ponte dos Carvalhos, a estudante Glezielly Marta Silva da Costa, 17 anos, vê na experiência a chance de vencer barreiras pessoais. “Fiquei muito ansiosa para o começo. Eu escolhi teatro e espero perder a timidez com essa oficina”, disse.
Depois da etapa das oficinas, os jovens seguirão para a formação profissionalizante. O diferencial é que os cursos também serão escolhidos pelos próprios participantes, a partir de uma cartela de opções apresentada em cada território. Serão três cursos por localidade, ministrados pelo IFPE por meio do Pronatec, com duração de quatro meses.
A decisão de permitir que os adolescentes indiquem suas preferências busca ampliar o sentimento de pertencimento e tornar a formação mais conectada aos interesses reais de cada grupo. “A ideia é envolver o público nas atividades e ajudar a construir um projeto com a cara de todo mundo”, explicou o coordenador adjunto local do Cabo de Santo Agostinho, Daniel Penalva Santos.
Nos quatro meses finais, os participantes passarão ainda por uma formação de inclusão socioprodutiva, voltada para elaboração de currículo, preparação para entrevistas de emprego, empreendedorismo, habilidades socioemocionais e inserção no mundo do trabalho. Paralelamente, receberão bolsa mensal de R$ 500 durante todo o período de participação.
Para o diretor-geral do IFPE Cabo de Santo Agostinho, a ação representa também a aproximação da instituição com comunidades historicamente afastadas das oportunidades educacionais. “Vocês estão hoje fazendo parte do IFPE. Este é um trabalho de cidadania e de desenvolvimento do território”, afirmou durante os encontros de boas-vindas em Ponte dos Carvalhos e Gaibu.
A dimensão dessa oportunidade é percebida pelos próprios jovens. Morador de Ponte dos Carvalhos, Jaziel Felipe acredita que a experiência pode provocar mudanças profundas. “É um projeto grande, com curso profissionalizante e oficinas. Acho que muita gente pode sair daqui muito diferente de como entrou”, afirmou.
A mesma expectativa move Cauã Silva Guimarães, 19 anos, do Alto da Bela Vista, no Ibura. “Quero aprender algo que possa me dar uma profissão e conseguir um emprego. Quero muito que esse curso dê certo”, disse.
Entre ansiedade, curiosidade e esperança, uma palavra se repetiu nos cinco encontros de boas-vindas: futuro. É ele que passa a ser construído, semana após semana, em cada oficina, atendimento, formação e escuta realizada pelo Pronasci Juventude.
